As ilusões dos coadjuvantes da farsa eleitoral



Após a farsa eleitoral, é chegado o momento em que os seus coadjuvantes ditos de esquerda precisam se banhar novamente com o verniz de combativos partidos comunistas, é o caso do PCR e do PCBrasileiro, que tendo posto sua militância para “fazer o L” durante o segundo turno da farsa eleitoral, agora cacarejam suas magníficas táticas para a nova situação. Carregados de ilusões na “grandiosa” vitória (de Pirro) eleitoral contra a extrema-direita, cantam aos quatro ventos que em um governo petista as condições para a luta serão mais favoráveis, esquecendo-se propositalmente de todos os camponeses assassinados na luta pela terra durante o gerenciamento petista, de todos os manifestantes perseguidos durante as jornadas de 2013/14. Para além da verdadeira pavimentação do fascismo por meio do recrudescimento da repressão com as UPPs, Força Nacional, Lei Antiterrorismo e tantos outros casos de “garantia das liberdades democráticas” do oportunismo.


No site do noticiário das duas agremiações encontramos pomposos editoriais escritos por representantes dos respectivos “comitês centrais”, onde os escolados revisionistas Luiz Falcão, do PCR, e Edmilson Costa do PCBrasileiro fazem seus malabares analíticos para enganar os incautos, particularmente os jovens, que encantados com o martelo e a foice que essas siglas eleitoreiras ostentam em suas bandeiras, não conseguem perceber o pântano de revisionismo, pacifismo e imobilismo no qual estão se atolando.


O PCR e seu nacional-reformismo latente


Luiz Falcão em editorial do jornal “A Verdade” intitulado “Exército prendeu Bolsonaro por 15 dias em 1986”, publicado ainda durante a Farsa Eleitoral, se esforça para convencer a milicada do perigo que é a extrema-direita. Para esse fim o autor se comunica tanto na forma quanto no conteúdo diretamente aos militares, vejamos um trecho:


Hoje, na propaganda eleitoral na TV, Bolsonaro aparece ao lado de crianças de cinco e quatro anos dizendo que é preciso ter ‘disciplina até para ter uma boa educação’, mas esconde que ele próprio, um adulto de 31 anos à época, cometeu, segundo o Exército, ‘transgressão grave com premeditação’ e agiu para prejudicar a disciplina e a boa ordem do serviço.


Querendo com essa apelação para as consignas de respeito a disciplina e lealdade das tropas do exército reacionário, disputar um inexistente setor progressista da caserna, mesmo que para isso tenha que fazer as mais vergonhosas concessões à mentalidade reacionária do Alto Comando das Forças Armadas (ACFA). É o que vemos mais a frente no seu texto, quando mencionando o plano de Bolsonaro de colocar bombas em quartéis logo após o fim do regime militar-fascista, em que Luiz Falcão tenta apelar para o bom senso da outra parte restante das Forças Armadas, a da direita (ambas, extrema-direita e direita anticomunistas viscerais). E em tom professoral tenta esclarecer aos milicos de como Bolsonaro é um louco, chegando a adjetivar o ataque ao dito quartel do exército reacionário como ato diabólico. Taxar tal plano com o adjetivo de diabólico é nada mais nada menos que lançar mão de um moralismo pequeno-burguês tolo de condenação de métodos violentos em geral, sem fazer distinção do seu conteúdo de classe, para com esse falatório tentar “esclarecer’’ a cabeça da milicada do perigo que a extrema-direita representa. Nos cabe perguntar se seria então diabólico ou algo equivalente o histórico assalto dirigido pessoalmente por Manoel Lisboa ao novo Parque da Aeronáutica. Não nos assusta que Luiz Falcão pense isso, pois seu partido, que usurpa o nome do PCR, só pode ser o antípoda do partido de Manoel Lisboa.


Tentar disputar o “setor democrático do exército” não passa de uma iniciativa fracassada, ilusão corriqueira na cabeça de nacional-reformistas como Luiz Falcão, que ainda que tente se fazer de revolucionário, na prática age como bom reboquista, apelando para os setores ditos esclarecidos da direita militar para que estes combatam as movimentações golpistas da extrema-direita com Bolsonaro à cabeça. É isso que representa esse seu artigo lançado ainda no processo eleitoral, representa as mesmas velhas e ensebadas ilusões em inexistentes setores “democráticos” do exército reacionário, que o nacional-reformismo nutriu décadas a fio no movimento popular. Essa crendice só tem cabimento na cabeça de quem que, por conveniência ideológica, insiste em desconhecer que a direita militar historicamente conciliou com crimes da extrema-direita contra a nação e o povo e até mesmo contra as próprias Forças Armadas reacionárias — para manter a unidade de suas tropas. Essa milicada “legalista” sabe muito bem como passar a mão na cabeça de seus cães fascistas como fizeram com o próprio Bolsonaro, que mesmo tendo ameaçado explodir bombas em quartéis nos anos de 1980, foi absolvido pelo Superior Tribunal Militar, um fim completamente distinto do de Manoel Lisboa, que foi torturado e assassinado, pois o que está em jogo para as sacrossantas instituições burguesas não é a forma das ações, mas sim o seu conteúdo.


Em outro editorial, este mais recente, o mesmo Luiz Falcão canta a vitória eleitoral do pelego-mor como um grande feito, e como que para se precaver de acusações, inicia seu texto com uma citação, fora de contexto, do grande Lenin, retirada de sua brilhante obra “Esquerdismo, doença infantil do comunismo”, querendo com isso justificar o apoio da sua agremiação a Luís Inácio, o que não é mais do que um risível disparate! Em Lenin nunca houve uma defesa de se seguir a reboque de um partido oportunista calejado na arte do cretinismo parlamentar em nome de qualquer coisa e menos ainda para garantir-se “melhores condições para a luta” diante da ameaça fascista de restringir as liberdades democráticas. Pelo contrário, é nessa mesma obra que Lenin afirma a necessidade de se tomar como critério para aplicação de uma determinada tática, o fato desta fazer avançar “o nível geral de consciência, de espírito revolucionário e de capacidade de luta e de vitória do proletariado”, o que claramente não tem nada que ver com a vitória eleitoral de Luis Inácio sobre o celerado Bolsonaro. Vitória eleitoral que só dissemina ilusões – ainda – na consciência de grande parte das massas populares e age como verdadeiro bombeiro da luta de classes. Os verdadeiros revolucionários, diante da ameaça às liberdades democráticas, não devem se voltar para os braços do oportunismo em alianças espúrias, nem acreditar que será o velho Estado genocida de grandes burgueses e latifundiários, serviçais do imperialismo, principalmente norte-americano, o encarregado por aplastar os riscos a essas liberdades, mas sim, devem se voltar para as amplas massas populares lançando-se na luta por elevar seu nível de mobilização, politização e organização, por enfrentar e deter as ameaças de restrições às liberdades democráticas e por aplastar pela violência revolucionária as ações golpistas, impulsionando a luta revolucionária.


O PCBrasileiro e a defesa do imperialismo anti-imperialista


Seguindo pelo mesmo caminho, Edmilson Costa, do PCBrasileiro, no artigo “Crise brasileira não será resolvida com medidas paliativas ou conciliação de classe” depois de cantar aos quatro ventos, com toda pompa e academicismo pequeno-burguês, a “vitória eleitoral contra o fascismo”, faz verdadeiro malabarismo para afirmar que o novo governo estará numa “encruzilhada” entre o povo e a burguesia, e que este tenderá a atender as demandas da burguesia. Coloca que agora o povo lutará em melhores condições e, refletindo sobre a extrema-direita solta a consigna oca de que se deve combatê-la nas ruas. Combater a extrema-direita na rua com protestos pacíficos e não combater o governo do oportunismo nem no parlamento! Seria isto? Pois quase nada se diz sobre o conteúdo concreto desse combate à extrema-direita nas ruas e nada de se combater o governo de turno da coalizão oportunismo/direita liberal. Quando fala sobre a tendência ao crescimento do protesto popular, assume sua identidade reformista, defendendo nas entrelinhas que a mobilização das massas serve para “pressionar” o governo à não conciliação de classes, reduz a luta das massas a meras lutas reivindicativas e não compreende a vinculação da luta reivindicativa com a luta pelo poder para a classe operária e demais massas populares. Chega inclusive a formular teoricamente o seu apoio às medidas assistencialistas do receituário de “políticas compensatórias” da agência imperialista Banco Mundial e as de corporativização das massas (cabresto e curral eleitorais) já amplamente aplicado pelos governos petistas anteriores, com a alegação reformista e cínica de que qualquer coisa, ainda que mínima, já é bom para o povo. Fala mil generalidades sobre a situação política nacional, para em seguida apresentar sua criadora e brilhante tática: a velha e empulhadora teoria da acumulação fria de forças, embalada com a fraseologia vazia sobre “poder popular”.


Em sua análise da situação internacional Edmilson Costa demonstra como que a concepção de imperialismo que ele e seu partido defendem não se assemelha em nada com a concepção leninista de imperialismo. Em sua avaliação a contradição interimperialista é uma “disputa geopolítica” entre blocos de países, onde só quem é de fato imperialista são os Estados Unidos, a União Europeia e a OTAN. Inclusive existem momentos no texto, em que imperialismo e EUA são sinônimos únicos. O imperialismo ianque é a superpotência hegemônica única, mas no mundo existe, ademais da superpotência atômica russa, um punhado de potências de segunda ordem, cuja dinâmica é um movimento de permanente contradição entre o EUA e cada uma das demais potências e destas entre si, sendo o conluio algo relativo e a pugna o absoluto. Qualquer avaliação da situação política internacional que não parta de tomar as contradições interimperialistas como parte das contradições fundamentais da época do imperialismo e do mundo atual é puro exercício unilateral da apreensão da realidade. As outras são a contradição entre proletariado e burguesia e contradição entre nação e imperialismo. A contradição entre socialismo e capitalismo, no mundo atual, só existe nas esferas ideológica e histórica, já que não existem hoje países socialistas, e os que ainda se autodenominam socialistas são regimes de capitalismo estatal burocrático ou social-imperialista, caso particular da China.


O absurdo não tem limite, o texto chega ao ponto de defender a Rússia (superpotência atômica) e China como nações progressistas e aliadas da luta anti-imperialista. A tese sobre um mundo multipolar que Edmilson Costa menciona em seu texto, não passa de uma formulação revisionista para defender uma teoria da subjugação nacional que entende as relações com o imperialismo russo e chinês como sendo o caminho adequado para o desenvolvimento das nações oprimidas, dentre as quais estão países de economias maiores como o Brasil, que os analistas burgueses e demais “espadachins a soldo” denominam por “países emergentes”. A invasão da Ucrânia pelo imperialismo russo não é uma guerra por procuração de EUA do governo de seu lacaio Zelensky contra a Rússia do ultrarreacionário Putin, como quer fazer crer o texto. Ela, antes de tudo, é uma guerra de agressão de um país imperialista contra um país semicolonial. Os EUA depende hoje para manter sua posição de gendarme mundial de subjugar a Rússia, para o que necessita instalar em suas fronteiras seu arsenal antimísseis, daí seu objetivo da Ucrânia e outras nações da ex-URSS estarem sob regimes títeres, mas ainda não pode bancar uma escalada para uma terceira guerra mundial. Uma posição verdadeiramente revolucionária proletária, isto é, uma análise verdadeiramente marxista da situação politica internacional, não pode tergiversar em definir o caráter injusto e anexionista da atual guerra contra a Ucrânia. Da mesma forma, não pode fantasiar sobre o imperialismo Chinês e seu regime social-fascista, que neste momento está perseguindo as massas que se levantam em luta combativa contra o mesmo e sua política repressiva de “Covid zero”.


Revolução de Nova Democracia: Caminho da Luta Popular


Para combater verdadeiramente a ofensiva reacionária na nova situação, é necessário se vacinar contra as ilusões disseminadas por estes escolados revisionistas, que sempre são embrulhadas em um palavreado socialisteiro para confundir aqueles que se interessam verdadeiramente pelo socialismo. Combateremos sem tréguas, de forma contundente e enérgica a extrema-direita, sem nenhuma ilusão na direita militar hegemônica no Alto Comando das Forças Armadas desse velho Estado burocrático-latifundiário genocida, que secularmente, dada à sua ideologia anticomunista visceral, tem passado a mão na cabeça de suas cadelas fascistas, porque estas lhes servem de guarda nas crises cíclicas desse endêmico sistema de opressão e exploração, sempre conciliando com seus interesses. Não temos nenhuma ilusão nessa velha democracia das classes dominantes que sempre manteve a extrema-direita impune até da violação de seu próprio marco constitucional, enquanto encarcera, reprime e mata, por todos os meios e formas, o nosso povo. Através da luta incansável e sem ilusões, denunciamos e mobilizamos as massas na defesa de seus interesses imediatos de modo inseparável da defesa de seus direitos e das liberdades democráticas, de modo intransigente e por todos os meios que não as iludam, nem um tantinho assim, sobre a natureza dessa velha ordem de opressão e exploração e suas instituições putrefatas.


Combatemos todos os imperialistas, principalmente o imperialismo ianque, inimigo número um dos povos, em seus planos de aprofundar seu controle sobre nossa nação, mas sem nenhuma ilusão com o imperialismo russo e o social-imperialismo chinês e sempre ao lado dos povos e nações oprimidos em suas heroicas lutas de resistência e guerras de libertação que encetam contra essas bestas. Levantamos alto a bandeira da Revolução de Nova Democracia ininterrupta ao Socialismo, que ao contrário da eterna acumulação fria de forças que os senhores tanto se empenham, tem levantado milhares de camponeses na luta pela Revolução Agrária e a resistência popular nas cidades, lutas que não tardarão a se multiplicar aos saltos.


Abaixo o revisionismo e todo o oportunismo!

Viva a Revolução de Nova Democracia!

Rebelar-se é justo!

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