Abaixo a repressão na UFPE! Barrar o fascismo impulsionando a combatividade!
Na última semana, 4 jovens foram agredidos no jardim do Departamento de Hotelaria e Turismo (DHT) por seguranças armados do Grupo Tático Operacional (GTO) da UFPE e da empresa de segurança privada TKS, acusando-os de “vandalismo” sem apresentar qualquer tipo de prova. Um dos jovens agredidos, estudante do Centro de Artes e Comunicação (CAC), gravou parte da ocorrência numa live em que é possível observar entre 15 a 20 seguranças os cercando e, por mais de 3 horas, os impedindo de retornar para casa enquanto faziam comentários provocativos. Agravando ainda mais: violentam uma das mulheres, batem em um dos jovens e quebram a bicicleta de um dos estudantes!
A segurança da universidade ainda tenta forçar que os estudantes assumam a autoria de algo que não fizeram, na tentativa de coagi-los a assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência na delegacia. O que temos na UFPE, para além do flagrante de que um grupo de criminosos que faz a suposta segurança do campus, é o avanço da extrema-direita que não se acanhará de crescer ainda mais a truculência contra os estudantes, principalmente os mais pobres e pretos.
O fato foi rechaçado por toda comunidade estudantil, dentro e fora da universidade, mas o que se vê na prática é a tentativa por parte da burocracia universitária em conluio com o oportunismo no Movimento Estudantil de reduzir a gravidade do assunto em um mero fato isolado. Tratar a repressão já instaurada na UFPE desta forma é menosprezar a gravidade desta ocorrência e não passa de um acovardamento diante da situação, ou seja, é passar pano e aceitar o avanço do fascismo debaixo do nosso nariz. Companheiros e companheiras do nosso próprio coletivo já foram abordados e censurados por essas mesmas forças privadas serviçais da burocracia universitária por uma mera colagem de cartazes várias e várias vezes. Além do fato de que na última Assembleia estudantil, ocorrida no Centro de Educação (CE) em outubro, membros da TKS adentraram o bloco com seus cassetetes em punho, em uma fracassada tentativa de intimidação, no ápice do evento quando os estudantes denunciavam os cortes de verbas e a reitoria estremecendo todo ambiente com palavras de ordem defendendo uma Greve de Ocupação.
O fato novamente em evidência, agora mais do que nunca, é que o recrudescimento da repressão fascista já está pavimentado – e o Reitor Alfredo Gomes permanece resguardado em seu embaraçoso silêncio por ter cumprido o papel vergonhoso de fazer avançar a extrema-direita no espaço institucional da universidade.
A nova “Política de Segurança Institucional” da UFPE
Aprovada na resolução 4/2022 do Conselho de Administração, essa nova política, cujo seu fórum é presidido na figura do Reitor Alfredo Gomes, foi preparada para impedir ainda mais o desenvolvimento da luta dos estudantes através de uma série de medidas. Sob um véu fino de “garantia de segurança”, permite a perseguição sistemática aos estudantes que possam representar alguma “ameaça” ao funcionamento da instituição ou que possam causar “possíveis danos”: na prática, é uma resolução que serve para atropelar instrumentos mais elevados do movimento estudantil, como o direito de livre manifestação e ocupação, militarizando ainda mais o espaço da universidade nas mãos, principalmente, da segurança privada que até então presta o único serviço de sufocar a já débil democracia universitária.
O último ataque no jardim do Departamento de Hotelaria e Turismo (DHT) por parte dos TKS e GTO serve para revelar a toda comunidade acadêmica o brilhante serviço da nova Política de Segurança Institucional. Desde já, exigimos não só a identificação dos canalhas responsáveis por reprimir os 4 estudantes, mas também sua imediata punição! Exigimos cadeia para o agressor da estudante! Exigimos o ressarcimento ao jovem que perdeu a bicicleta, seu instrumento de trabalho, num momento em que a fome assola os lares dos trabalhadores!
A quem interessa o perpétuo silêncio do DCE da UNE/UJS? Vocês também possuem sua parcela de culpa por iludir os estudantes fazendo coro com a Política de Segurança Institucional e, durante a campanha, exigindo mais TKS! A garantia dos estudantes de que esses episódios não voltem a acontecer está em sua organização e mobilização, atrelada a totalidade da luta popular, conquistando seus direitos sem qualquer ilusão burocrática e oportunista!
O coletivo Mangue Vermelho conclama os estudantes do povo para defender as liberdades democráticas sistematicamente ameaçadas na UFPE através da luta combativa e sem quartel, utilizando os métodos correspondentes para o momento histórico vigente. Esta é a única via possível para aplastar a extrema-direita bolsonarista que intenta contra os povos em luta e a direita militar do Alto Comando das Forças Armadas que maneja seu golpe contrarrevolucionário preventivo em curso para salvaguardar o capitalismo burocrático brasileiro de sua decomposição irrecuperável. Apenas transformando as universidades em gloriosas trincheiras da luta de classes é que se pode soterrar de uma vez por todas o chorume fascista que ousa sair do esgoto!
Rebelar-se é justo!
Ousar lutar, ousar vencer!
